Uma crisálida dourada pendurada em um galho

Lab de EducaçãoTransformadora

Uma Nota Sobre a Natureza Deste Trabalho

O que segue é uma investigação educacional em evolução, que ainda está encontrando sua forma, criando raízes e sendo testada. Não é um modelo ou uma pedagogia educacional acabados. Grande parte dela foi explorada primeiro em nossas próprias vidas, relações, comunidades e tentativas de navegar um tempo de profunda incerteza e complexidade sem cair em respostas simplistas, resignação ou sobrecarga. Este trabalho não surgiu dentro de instituições acadêmicas, mas por meio de nossas próprias vidas como um currículo vivo. Ao mesmo tempo, é profundamente influenciado por muitas linhagens, tradições, pensadores, educadores, práticas e corpos de trabalho com os quais nos envolvemos ao longo de décadas.

O que é experimental aqui não é apenas a forma particular como estamos convidando diferentes linhagens em relação, nem o fato de estar enraizado em solo brasileiro, mas a arquitetura educacional e a pedagogia por meio das quais nos envolvemos com essas linhagens em resposta às crises deste momento. Criamos este coletivo porque não encontramos muitos espaços que estivessem investigando as perguntas que estamos investigando dessa forma e, como educadores, quisemos criar um ambiente no qual essas ideias, práticas e formas de ser pudessem ser vividas, testadas, desafiadas e refinadas.

Oferecemos o que segue com humildade, como um retrato de onde nosso pensamento e nossa prática estão neste momento, sabendo que ambos continuarão evoluindo à medida que o trabalho se desdobra. Este trabalho continuará mudando por meio da prática, dos encontros, dos fracassos, das consequências e das pessoas que entrarem em relação com ele. O que permanece é o compromisso e a devoção de seguir descobrindo que tipo de educação pode nos preparar para navegar e responder a este tempo entre mundos.

Metta Tropical Collective

Educação Centrada em Sabedoria para um Tempo Entre Mundos

Toda pedagogia e educação começa, explicitamente ou não, com um diagnóstico do mundo que está preparando as pessoas para habitar. Nosso trabalho parte da premissa de que estamos vivendo uma metacrise e um período de profundo colapso sistêmico. Se as bases da nossa civilização permanecerem inalteradas, acreditamos que os riscos de colapso ecológico, fragmentação social, autoritarismo, danos tecnológicos e catástrofe existencial continuarão crescendo.

Compreendemos essa situação, em parte, como uma crise de sabedoria. O conhecimento e o poder tecnológico da humanidade se expandiram mais rápido do que nossa maturidade para discernir o que importa, navegar a complexidade, compreender as consequências, cuidar do todo e usar esse poder a serviço da vida. Ao mesmo tempo, muitas das formas de perceber, valorizar, se relacionar e organizar que ajudaram a produzir nossas crises atuais continuam vivas em nossas instituições, culturas, desejos e vidas cotidianas.

Nosso trabalho educacional, portanto, gira em torno de duas perguntas:

  1. 1.

    Quem precisamos nos tornar para navegar e responder com sabedoria a estes tempos?

  2. 2.

    Que tipos de ambientes educacionais e comunidades podem apoiar essa transformação em um tempo de metacrise e transição civilizatória?

Às vezes descrevemos essa investigação como uma “educação para o fim do mundo como o conhecemos”— não o fim da humanidade ou da vida, mas o possível desmoronamento de uma ordem civilizatória cada vez mais incapaz de sustentar as condições das quais depende. Por essa perspectiva, a educação não pode simplesmente preparar as pessoas para se adaptar ou ter sucesso no mundo como ele é. Ela precisa nos ajudar a questionar seus fundamentos, compostar o que já não pode continuar, discernir o que deve ser levado adiante, navegar esse tempo entre mundos e participar com sabedoria do que vem a seguir.

O Gap Entre Saber, Ser e Fazer:Saber algo não é o mesmo que ser transformado por aquilo que sabemos.

Nunca tivemos tanto conhecimento sobre o colapso ecológico, a desigualdade, o risco sistêmico, a disrupção tecnológica e as forças que alimentam a metacrise. Ainda assim, nossa sociedade, e muitas vezes nossa própria vida, continua organizada em torno dos mesmos desejos, hábitos, incentivos, relações e pressupostos que perpetuam essas crises.

Chamamos isso do gap entre saber, ser e fazer: a distância entre o que sabemos, quem nos tornamos por causa desse saber e como ele, em última instância, transforma a forma como vivemos.

Saber

O que sabemos

Acesso sem precedentes a conhecimento sobre colapso ecológico, desigualdade, risco sistêmico e disrupção tecnológica.

Ser

Quem nos tornamos por causa disso

Mudanças mais profundas na forma como percebemos a realidade, o que valorizamos e em como nos relacionamos uns com os outros, com o mundo e com o sagrado.

Fazer

Como isso transforma a forma como vivemos

Os desejos, hábitos, incentivos, relações e escolhas por meio dos quais nossas vidas estão, de fato, organizadas.

Para nós, esse é um dos desafios educacionais centrais do nosso tempo. É também por isso que nosso trabalho se orienta para a Educação Centrada em Sabedoria: formas de educação preocupadas não apenas em apresentar diferentes formas de conhecimento, mas capazes de apoiar mudanças mais profundas em como percebemos a realidade, o que valorizamos, em como nos relacionamos uns com os outros, com o mundo e com o sagrado, e em como participamos na vida. Nosso objetivo é criar condições para que o novo mundo que quer nascer não surja a partir dos mesmos padrões de percepção, pensamento, relação e coordenação que nos trouxeram até aqui, mas de uma base mais profunda de sabedoria, compaixão e responsabilidade para com toda a vida.

O que é o Lab de Educação Transformadora?

Este é o espaço dentro do Coletivo Metta Tropical onde pesquisamos, prototipamos e praticamos novas formas de educação capazes de apoiar a transformação individual e coletiva em um tempo de metacrise.

Não nos interessa apenas o que as pessoas aprendem, mas as condições capazes de transformar o modo como percebemos a realidade, nos relacionamos com a vida e participamos do mundo, saindo da fragmentação e da separação rumo a mais intimidade, interdependência e responsabilidade, para que comunidades, sistemas e culturas que sustentam a vida se tornem possíveis.

No centro do nosso trabalho está o que chamamos de Arquiteturas Educacionais Centradas em Sabedoria: ecologias de transformação que integram práticas, relações, experiências, caminhos de desenvolvimento e pedagogias, desenhadas para apoiar mudanças profundas na forma como pessoas e coletivos se relacionam consigo mesmos, com os outros, com o mundo e com o sagrado, e para cultivar as capacidades de que precisamos para responder à metacrise.

Arquitetura Educacional Centrada em Sabedoria

Compreendemos este momento como um rito de passagem civilizatório: um mundo se torna cada vez mais incapaz de se sustentar, enquanto o outro que vem a seguir ainda não emergiu por completo.

Nosso trabalho surge como uma resposta a isso. Momentos liminares como esse exigem espaços educacionais e coletivos capazes de apoiar as pessoas ao longo de períodos de transição profunda. A maioria das experiências educacionais é desenhada como programas delimitados— um curso, uma oficina, um retiro, um fellowship ou uma graduação. Eles têm seu valor e podem ser poderosos, mas a profundidade de transformação exigida neste momento pede algo mais duradouro e comunitário.

Nossa investigação, portanto, vai além de desenhar programas transformadores. O que nos interessa são arquiteturas educacionais capazes de sustentar longos arcos de transformação humana— ecologias de transformação robustas o bastante para acompanhar as pessoas em diferentes fases da vida, aprofundando sua capacidade de navegar e responder com sabedoria a um tempo entre mundos. Cursos, retiros, fellowships e formações podem fazer parte dessa arquitetura, mas não são fins em si mesmos.

Arquitetura Educacional Centrada em Sabedoria é o nome que damos a essa ecologia de transformação: uma constelação intencional de ambientes, relações, práticas, rituais, formações e formas de apoio pensada para sustentar a transformação humana com a profundidade, o cuidado e a responsabilidade que um rito de passagem civilizatório exige.

A partir do nosso trabalho até aqui, compreendemos essa arquitetura sendo composta por cinco elementos interconectados:

Aspiração

O horizonte de possibilidade humana que nos chama e orienta a transformação

Todo caminho transformador é moldado pelo horizonte para o qual se orienta. Os seres humanos se desenvolvem não apenas por meio do que aprendem, mas por meio das possibilidades de quem são convidados a se tornar. Em um tempo que pede tanto da humanidade, muitas das imagens dominantes disponíveis sobre quem podemos nos tornar parecem estreitas demais para a profundidade de amadurecimento que este momento exige.

Nosso trabalho aspiracional começa, portanto, com duas perguntas: Quem precisamos nos tornar para encarar este momento com sabedoria, maturidade e responsabilidade? E como nossas relações e capacidades precisam se transformar para que nossa transformação possa ser colocada a serviço do florescimento de toda a vida?

No coração desse processo está uma transformação na forma como nos relacionamos com a vida. Buscamos nos tornar mais capazes de perceber como nossas percepções, desejos, hábitos e formas de produzir sentido foram treinados dentro dos padrões de separabilidade, extração e controle da modernidade — e de cultivar formas de relação fundamentadas mais profundamente em interser, valor intrínseco, reverência e responsabilidade com o todo.

Não vemos isso como uma tentativa de definir um ser humano ideal. Ao contrário, buscamos contribuir para um imaginário social mais rico da possibilidade humana — um imaginário em que nosso crescimento não seja autocentrado, mas nos permita amar mais profundamente, perceber com mais clareza, assumir mais responsabilidade e colocar nossas vidas a serviço de todos os seres. Assim, esperamos atravessar esta transição reduzindo o risco de reproduzirmos, em novas comunidades e sistemas, os mesmos padrões relacionais que nos trouxeram até aqui.

Para nós, isso envolve quatro mudanças fundamentais em nossa relação com a vida, junto com as capacidades que podem ajudar essas mudanças a se tornarem cada vez mais incorporadas:

Eu

Da Fragmentação → Rumo a Inteireza (Wholeness)

Lembrar de quem somos além dos nossos condicionamentos, enquanto aprendemos a acolher as feridas, os apegos, os desejos, os privilégios e as muitas partes de nós com presença amorosa e compaixão — sendo cada vez menos governados pelo medo, pelos padrões de proteção e pelo controle, e cada vez mais capazes de viver a partir de um solo mais profundo de totalidade do ser.

Explorar capacidades →

Eu

Capacidades que cultivamos

Autoconsciência · Presença · Autoinvestigação · Autocompaixão · Maturidade Emocional · Sintonia Afetiva · Consciência Corporal · Estamina Afetiva · Luto

O Outro

De Separação → Rumo a Interser

Despertar novamente para nossa interdependência e nosso entrelaçamento com seres humanos e mais-que-humanos, reconhecendo seu valor intrínseco e cultivando relações de intimidade, reciprocidade, reparação e cuidado genuíno com o florescimento uns dos outros, apesar das nossas diferenças.

Explorar capacidades →

O Outro

Capacidades que cultivamos

Sintonia · Compaixão · Intimidade · Fala Amorosa · Escuta Profunda · Compreensão · Responsabilidade Relacional · Reparação · Sustentar Diferenças

O Mundo

De Observação → Rumo a Participação

Lembrar que não estamos do lado de fora dos mundos que buscamos compreender. Somos participantes de um mundo vivo e interdependente, moldando e sendo moldados pelos sistemas sociais, ecológicos e históricos que habitamos. Cultivamos a capacidade de perceber esses entrelaçamentos, reconhecer os limites e consequências da nossa participação para agir com maior senso de responsabilidade.

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O Mundo

Capacidades que cultivamos

Pensamento Sistêmico e Complexo · Consciência Histórica, Econômica & Ecológica · Produção de Sentido · Pensamento Crítico · Humildade Intelectual · Sustentar Paradoxos

O Sagrado

De Desencantamento → Rumo a Reverência

Recuperar nosso pertencimento a uma realidade que excede nossa plena compreensão, encontrando a vida como intrinsecamente valiosa, sagrada e digna de reverência. Cultivar um senso incorporado de amor, devoção e responsabilidade para com o todo, reconhecendo-nos como expressões únicas dele.

Explorar capacidades →

O Sagrado

Capacidades que cultivamos

Profundidade Contemplativa · Percepção de Valor · Produção de Sentido · Discernimento Ético · Devoção · Veracidade · Imaginação · Responsabilidade Visceral · Reverência

Essas mudanças importam porque a situação que enfrentamos não é apenas sistêmica, mas também ontológica, relacional e afetiva. Responder com sabedoria exigirá muito mais do que capacidade analítica ou sistêmica. Nos pede que acolhamos as feridas com presença amorosa, permaneçamos na incerteza sem cair em respostas simplistas, reconheçamos nossa cumplicidade sem nos dissolver na vergonha, nos mantenhamos abertos à desorientação, recorramos a múltiplas formas de inteligência, sustentemos as diferenças com cuidado, nos sintonizemos com o que é verdadeiro, bom e belo, percebamos o que está vivo e tentando emergir, e assumamos a responsabilidade pelo que nos cabe fazer neste momento.

Estruturas

As condições que sustentam a transformação ao longo do tempo

A profundidade de transformação pela qual a civilização precisa passar neste momento não pode ser sustentada por muitas das mesmas estruturas que ajudaram a produzir a crise que enfrentamos. Precisamos de espaços capazes de apoiar a formação humana ao longo de décadas e de vidas inteiras, fundamentados em outras formas de perceber, de se relacionar e de responder ao mundo.

Parte do que esses espaços oferecem é outro ritmo de vida. Muito da sabedoria que precisamos talvez já esteja tentando nos alcançar, mas nossas vidas muitas vezes se movem rápido demais para que possamos escutá-la. Uma prática nos desacelera. Um ritual nos desacelera. Um mentor nos desacelera. Uma história nos desacelera. Uma comunidade nos desacelera. Eles criam as condições para olharmos mais profundamente para dentro de nós mesmos, escutarmos o mundo com mais atenção e discernirmos o que este momento pode, de fato, estar nos pedindo.

Estamos, portanto, explorando o que essas ecologias de transformação deveriam ser neste tempo: constelações robustas e interconectadas de relações, práticas, estruturas e condições que criam um terreno fértil para uma transformação humana profunda a serviço do florescimento de toda a vida.

Nesta fase da nossa investigação, entendemos os elementos a seguir como fundamentais para essa transformação:

Visão de Mundo

Compreender a Realidade

Toda cultura repousa sobre uma compreensão da realidade. Exploramos formas de ver e perceber a realidade que restauram a interdependência, o valor intrínseco, a reverência e o pertencimento na teia da vida.

Histórias e Mitos

Narrativa Compartilhada

Crescemos por meio das imagens de possibilidade que estão disponíveis do nosso imaginário coletivo. Narrativas compartilhadas ampliam nossa imaginação sobre quem podemos nos tornar e os futuros que podemos trazer à existência.

Ecologia da Prática

Incorporar o Que Sabemos

O saber, sozinho, não nos transforma. Práticas contemplativas, relacionais, somáticas, artísticas e ecológicas transformam aquilo que sabemos em formas incorporadas de ser, fazer e de nos relacionar.

Ecologia da Formação

Experiências Imersivas

A transformação exige imersão e continuidade. Retiros, residências, fellowships e cursos criam espaços para uma compreensão, integração e um crescimento mais profundos.

Comunidade e Amizade

Acompanhar Uns aos Outros

A transformação não acontece sozinha. No espírito da sangha, cultivamos uma amizade verdadeira, fundamentada na prática compartilhada, no cuidado mútuo e no acompanhamento ao longo da mudança.

Ancestralidade

Orientação Intergeracional

Anciãos, mentores, guardiões de sabedoria e detentores de linhagens ajudam a sustentar o espaço para uma entrega e profundidade maior em nossas explorações.

Ética

Orientação Relacional

Não é um moralismo rígido, mas princípios que ajudam a alinhar nossas vidas com integridade, reciprocidade, responsabilidade, cuidado e serviço a todos os seres.

Ritual

Aprofundar o Sentido Compartilhado

O ritual marca os momentos recorrentes de rememoração, criando sentido compartilhado, fortalecendo o pertencimento e nos reconectando com aquilo que é maior do que nós mesmos.

Renúncia

Simplicidade Voluntária

Reduz nossa dependência em hábitos, confortos, desejos, identidades e modos de vida que já não servem à vida, enquanto cultiva mais simplicidade, suficiência e discernimento sobre o que realmente precisamos e importa.

Dimensões

Dimensões da realidade que estamos aprendendo a compreender e a participar mais profundamente

Dentro da nossa Arquitetura Educacional, engajamos com cinco trilhas interconectadas de transformação —o Sagrado, Alma, Sistemas, Solo e Sociedade. Nós as compreendemos como dimensões fundamentais da realidade e da vida humana que podem nos ajudar a navegar e responder à metacrise com mais profundidade, sabedoria e responsabilidade.

Vemos isso como uma abordagem transdisciplinar para compreender e responder ao nosso tempo. A complexidade do nosso tempo exige que investiguemos o que, em última instância, tem valor, o que significa ser humano, como os sistemas moldam nosso mundo, quais as histórias e narrativas que nos trouxeram até aqui, nosso pertencimento à Terra e como a forma que nos organizamos e agimos juntos impacta a sociedade. Essas trilhas são campos interdependentes de investigação e formação que, juntos, cultivam uma compreensão mais integrada da nossa situação planetária e uma capacidade maior de responder às crises sem perpetuar mais danos.

O Sagrado

O Sagrado

Lembrar o Que Realmente Importa

O Sagrado explora a natureza da realidade, o valor intrínseco, a verdade, o significado da vida e aquilo que, em última instância, é digno da nossa devoção. Bebendo de tradições espirituais e de sabedoria, da filosofia e da teologia, ajuda a restaurar nossa capacidade de encontrar a vida como interdependente, significativa e digna de reverência.

Não é apenas uma trilha entre as outras, mas o horizonte orientador de toda nossa formação.

Alma

Alma

Lembrar Quem Somos

A Alma se dedica ao trabalho psicológico, emocional, relacional, corporal e espiritual de nos tornarmos seres mais integrados. Ela explora quem somos por baixo dos nossos condicionamentos e como nossas feridas, desejos, identidades e padrões de proteção moldam a forma como navegamos o mundo.

Aqui, não cuidamos apenas das nossas vidas interiores, mas também dos espaços entre nós — como escutamos, nos sintonizamos afetivamente, nos comunicamos, construímos intimidade e nos relacionamos de forma mais plena.

Esta trilha cultiva a maturidade e as capacidades relacionais necessárias para participar do mundo sem reproduzir os padrões que buscamos transformar.

Sistemas

Sistemas

Lembrar Onde Estamos

Esta corrente cultiva a capacidade de perceber os padrões sob os acontecimentos, rastrear as raízes históricas, estruturais e espirituais da metacrise e compreender as forças culturais, políticas, tecnológicas, econômicas e ecológicas que moldam nosso mundo.

Investigamos como visões de mundo dominantes, histórias coloniais, instituições, incentivos e sistemas econômicos moldam não apenas a sociedade, mas também nossos desejos, identidades, relações e imaginação. Bebendo do pensamento sistêmico, da complexidade, da economia política, do pensamento decolonial e da pesquisa civilizacional,

buscamos responder à nossa crise sem cair no reducionismo, polarização ou em soluções simplistas.

Solo

Solo

Lembrar Nosso Lugar na Teia da Vida

O Solo busca restaurar nossa relação com a terra, o território, a ancestralidade e o mundo mais-que-humano. Esta trilha bebe da sabedoria indígena e quilombola, da agroecologia, dos movimentos ligados à terra, do pensamento biorregional, das práticas baseadas na natureza e de comunidades em toda a América Latina que sustentaram e regeneraram relações a serviço da vida apesar de séculos de despossessão e apagamento.

Por meio do envolvimento com diferentes formas de ver, ser e viver, somos convidados a uma intimidade mais profunda com a Terra e toda a vida — relações fundamentadas na interdependência, no parentesco, na reciprocidade e no pertencimento.

Sociedade

Sociedade

Lembrar Como Responder a Este Momento

A Sociedade busca traduzir o saber e a compreensão em ação transformadora. Esta trilha nos coloca em contato direto com pessoas, comunidades, movimentos e iniciativas na fronteira viva da renovação cultural, sistêmica e social — aquelas que estão experimentando novas formas de organizar suas vidas e seu serviço em resposta à metacrise.

Por meio desses encontros, exploramos a construção de movimentos, a organização comunitária, a construção de instituições, a construção de paz, os usos éticos do poder e as muitas formas como as pessoas respondem e responderam a momentos de profunda ruptura atualmente e ao longo da história.

Juntas, essas cinco trilhas se tornam portais para aprofundar nossa relação com dimensões da realidade que consideramos essenciais neste momento, ajudando-nos a compreender mais plenamente o que importa, quem somos, onde estamos, ao que pertencemos e como podemos navegar e responder a estes tempos com mais sabedoria, coragem e responsabilidade.

Pesquisa contínua

Em nosso coletivo, mapeamos, pesquisamos e nos envolvemos continuamente com pensadores, práticas, organizações, formações e movimentos globais e locais que atuam na fronteira dessas cinco dimensões — buscando não apenas integrá-los à nossa Arquitetura Educacional como uma oferta à nossa comunidade, mas também adaptá-los, quando necessário, ao nosso contexto cultural.

Pedagogia

A forma como percebemos a realidade e nos relacionamos com ela molda a realidade que se torna disponível para nós.

As estruturas e as trilhas de transformação criam as condições e as dimensões por meio dos quais a transformação pode se desdobrar. Nossa pedagogia faz uma pergunta diferente: Como precisamos nos envolver com a realidade para que aquilo que encontramos transforme, de fato, a forma como percebemos, nos relacionamos, sentimos e vivemos a serviço de toda a vida?

A educação moderna nos treinou, em grande parte, a encontrar o mundo por meio da abstração, da análise e do conhecimento conceitual. Desenvolvemos uma compreensão intelectual extraordinária sobre o colapso ecológico, o risco tecnológico, os incentivos sistêmicos e a metacrise, enquanto continuamos organizando nossas vidas em torno de muitos dos mesmos desejos, hábitos, relações e definições de sucesso que os reproduzem. Essas capacidades continuam essenciais, mas são insuficientes para encarar a complexidade do nosso tempo, e mais insuficientes ainda para a transformação mais profunda que este momento exige.

Pedagogia Ontológica Relacional

Nossa pedagogia busca ampliar as formas pelas quais podemos perceber, nos relacionar, sentir e participar da realidade com mais alma, restaurando e aprofundando nosso senso de sacralidade, de sentido e do valor intrínseco da vida em uma cultura que muitas vezes achatou essas dimensões da experiência.

Cultivamos as capacidades de perceber e encontrar a realidade com a totalidade do nosso ser — mente, coração, corpo, imaginação, relacionalidade, intelecto e profundidade contemplativa — tornando-nos gradualmente instrumentos de percepção mais sensíveis, capazes de mais intimidade, sintonia afetiva e presença diante da beleza, da verdade, da bondade, do luto e do sofrimento do mundo. À medida que as pessoas aprofundam essas capacidades relacionais, tornam-se mais capazes de ficar com a complexidade do nosso tempo sem cair na sobrecarga, em respostas simplistas, no niilismo ou na separação, cultivando ao mesmo tempo o discernimento para agir com mais sabedoria, cuidado e responsabilidade para com o todo.

A Pedagogia Ontológica Relacional é, portanto, uma abordagem participativa da educação, preocupada não apenas com o que sabemos, mas com o que se torna perceptível para nós, com a profundidade com que entramos em relação com o que percebemos, com a forma como aprendemos a sentir juntos e com como aquilo que encontramos transforma a maneira como participamos da vida.

Ela se desdobra em quatro movimentos interdependentes

Ontológico

Refinar a Percepção

Que tipo de realidades se tornam visíveis pela forma como aprendemos a perceber?

Buscamos cultivar formas de percepção, formas de olhar para o mundo, que nos tornem mais sensíveis a dimensões fundamentais da realidade que a modernidade muitas vezes descartou: interdependência, valor intrínseco, sofrimento, eros, significado, sacralidade, beleza e o valor transcendental de uma vida.

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Aqui, trabalhamos com diferentes Olhos de Percepção, reconhecendo que nenhum modo de percepção isolado pode revelar a totalidade da realidade. Nossa principal orientação é nos mover:

De formas de perceber que revelam a realidade como

Objetos, recursos, sem significado e separados de nós.

Rumo a formas de perceber que veem a realidade como

Cheia de significado, sacralidade, valor intrínseco e interdependência.

A aspiração é cultivar formas de olhar para o mundo que possam reduzir consistentemente o sofrimento, o apego e a ganância, ampliando a beleza, a alma e a sacralidade.

Relacional

Aprofundar a Participação

Com que profundidade podemos entrar em relação com o que percebemos?

Perceber algo não significa necessariamente estar em relação profunda com isso. Por isso cultivamos e praticamos múltiplas profundidades e modos de nos relacionarmos com a vida — cada um oferecendo uma forma diferente de entrar em contato com a realidade.

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Pense em uma floresta

Podemos começar percebendo seu valor intrínseco e sua sacralidade. A partir daí, podemos nos relacionar com ela em muitas profundidades:

  • Conceitual

    Pensar nas redes de micélio que conectam suas árvores.

  • Narrativa

    Lembrar uma história pessoal que carrega sentido para nós.

  • Interior

    Sentir o luto que surge quando as florestas são destruídas.

  • Relacional

    Sintonizar-se com uma árvore e escutar o que ela tem a nos dizer.

  • Corporal

    Sentir como nosso corpo muda na presença dela.

  • Imaginal

    Relacionar-se com a floresta por meio da imagem, do símbolo e da imaginação.

  • Transpessoal

    Experimentar o pertencimento a uma teia de vida maior que eu.

Essas profundidades de participação não formam uma hierarquia simples do raso ao profundo. Cada uma tem seu próprio valor e pode revelar algo que as outras não podem. A aspiração é cultivar mais amplitude, intimidade e fluidez entre elas, ampliando os tipos de informação, experiência e relação disponíveis ao nosso discernimento.

À medida que nossa relação com a realidade se aprofunda, diferentes aspectos dela podem se tornar disponíveis para nós: conhecimento experiencial, saber experiencial, informação relacional, dados quentes (warm data), imaginação e insights que a análise conceitual, sozinha, não pode oferecer. Eles não levam automaticamente a conclusões mais sábias, mas ampliam o campo a partir do qual o discernimento se torna possível.

Sabedoria, nesse sentido, envolve aprender a se mover entre essas diferentes profundidades sem reduzir a realidade a nenhuma delas.

Explore a Tabela de Profundidades Relacionais →
Coletivo

Sentir a Partir do Todo

O que se torna possível quando o saber já não está localizado apenas no indivíduo?

Trabalhamos com a produção coletiva de sentido de duas formas complementares: por meio da qualidade das nossas relações e das estruturas por meio das quais participamos juntos. À medida que ambas se aprofundam, a própria comunidade pode começar a funcionar como um órgão de percepção com alma — capaz de sentir beleza, sacralidade, sentido, tensões, necessidades e possibilidades emergentes que nenhuma perspectiva ou prática individual poderia perceber sozinha.

Leia mais
Por meio da qualidade das nossas relações

Co-sentir relacional

À medida que nossas capacidades individuais de presença, sintonia e profundidade relacional se desenvolvem coletivamente, aprendemos a sentir não apenas a partir de nós mesmos ou na direção uns dos outros, mas a partir do campo relacional que emerge entre nós — permitindo que se tornem perceptíveis formas de saber às quais nenhum indivíduo talvez tivesse acesso sozinho.

Por meio das estruturas que compartilhamos

Infraestruturas para a emergência

Assembleias, rituais, responsabilidade compartilhada, trabalho coletivo, práticas de governança, processos de tomada de decisão, dança, música, cozinhar, o cuidado com o fogo e outras formas por meio das quais uma comunidade continuamente se sente em relação a um lugar, metaboliza a experiência, lembra junto e se orienta para uma imagem compartilhada de futuro coletivo. Essas práticas não exigem necessariamente uma profundidade relacional profunda para funcionar, mas podem possibilitar formas de inteligência coletiva que excedem a percepção individual.

Transformador

Incorporar o Que Sabemos

Como aquilo que percebemos, com que nos relacionamos e que encontramos se torna um modo de vida?

Tudo o que foi descrito acima permanece incompleto se não transformar, em algum momento, a forma como vivemos, aquilo com que nos comprometemos e como participamos a serviço do florescimento da vida. Nossa aspiração não é simplesmente construir coerência dentro das nossas comunidades ou gerar insights que permaneçam contidos nos espaços educacionais, mas sermos nutridos por essas relações para que possamos participar do mundo com mais sabedoria, coragem e responsabilidade.

Leia mais

A transformação se aprofunda por meio da participação na vida — por meio das relações, do trabalho, da experimentação, da criação, do serviço, da organização, do ativismo, do exercício do poder, do cuidado com os recursos e das escolhas concretas do dia a dia.

O próprio mundo se torna parte essencial da pedagogia. À medida que nossas aspirações encontram complexidade, resistência, contradição e consequência, descobrimos o que de fato se incorporou em nós e o que permanece apenas compreendido conceitualmente. A participação não é simplesmente a aplicação do que aprendemos; ela se torna outra fonte de aprendizagem e transformação.

Nossas ações inevitavelmente afetam as pessoas, as comunidades, os sistemas e as ecologias de que participamos. Se atentar para o que acontece como consequência pode refinar nossa percepção, aprofundar nossas relações, desafiar nossos pressupostos e revelar onde mais transformação é necessária — dando início a outro ciclo de investigação, participação e prática.

Orientação

A serviço de quê está, afinal, a transformação?

A transformação não é inerentemente algo bom. Podemos nos tornar mais inteligentes, capazes, autoconscientes, cuidadosos nas relações ou influentes e, ainda assim, viver em torno da separação, da extração e do interesse próprio. É por isso que nos preocupamos não apenas com se a transformação acontece, mas a serviço de quê ela está.

Nosso trabalho se orienta para uma relação mais cheia de alma, íntima e amorosa com toda a vida — uma relação que aprofunda nossa sensibilidade à sacralidade, ao valor intrínseco, ao sofrimento, ao luto e à beleza da realidade. Mas nossa aspiração não termina aí. Nos interessa saber como essas qualidades de relação podem cultivar mais confiança, coerência, discernimento, orientação compartilhada e sabedoria coletiva em um ecossistema de pessoas e comunidades, possibilitando formas de colaboração e coordenação em resposta à metacrise que dificilmente emergiriam de indivíduos isolados ou de instituições fragmentadas.

Se você ainda acredita no amor, é possível construir vínculos inquebráveis entre as pessoas e níveis de confiança muito, muito altos — e, portanto, formas de coordenação e organização capazes de, de fato, superar as formas de organização baseadas em mero contrato e transacionalidade.

— Zak Stein
Vista aérea de pessoas reunidas em círculos concêntricos em torno de um tambor central

Experimentos Educacionais Anteriores

Retiro imersivo·17 a 24 de agosto de 2025

Liderando na Metacrise

Criando Santuários em um Tempo Entre Mundos

Um retiro imersivo com 20 jovens lideranças brasileiras de todo o país, explorando como podemos navegar a metacrise com mais sabedoria, profundidade relacional e responsabilidade. Por meio de prática contemplativa, investigação sistêmica, trabalho relacional, visitas a comunidades e reflexão coletiva, os participantes se envolveram com perguntas sobre significado, pertencimento, crise e o que significa responder a um tempo de profunda transição civilizatória.

Assista ao filme do retiro ↗
Formação de oito semanas·15 de outubro – 10 de dezembro de 2025

Compaixão em Tempos de Colapso

Encontrar o sofrimento do mundo com sabedoria

Uma formação centrada na compaixão e na prática de meditação para as realidades emocionais, espirituais e éticas do colapso sistêmico e da metacrise. O programa explorou como a compaixão pode se tornar um recurso para permanecer presente diante do luto, do medo, da sobrecarga e do sofrimento, fortalecendo ao mesmo tempo nossa capacidade de cuidar de nós mesmos, uns dos outros e do mundo mais amplo sem cair na sobrecarga, na resignação ou no desengajamento.

Conheça a formação ↗

Quer explorar mais a fundo o nosso trabalho?

Descubra como nossa teoria de mudança orienta este trabalho experimental ou conheça como participar do nosso fellowship.

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